Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

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nu
antes

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ação

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ar

Sábado, 6 de Junho de 2009

Ao sim seja

Amem ou deixem
para seguir singrando mar adentro
amém ou dane-se
contanto que continuem sonhando
escolham com o coração
a mim, a um ou a outrem
mas verdadeiramen te
amem a si ou a mais ninguém

Terça-feira, 17 de Março de 2009

Woody Allen, o mais europeu dos cineastas americanos

Tomada 1: Um sujeito magro e franzino, com óculos fundo de garrafa, passeia ao lado de uma estonteante mulher destilando frases inteligentes carregadas de ironia e sarcasmo. Essa pode ser a tomada de um dos muitos filmes do mais profícuo cineasta da atualidade. De quatro em quatro anos, há uma Copa do Mundo, e de ano em ano, Woody Allen lança um fantástico filme. Nos últimos anos, o cineasta tem trocado sua amada Nova Iorque por locações na Europa. Seus últimos filmes foram locados na Inglaterra e seu último drama, Vicky Cristina Barcelona, foi filmado na capital Catalã. No entanto, está tudo lá: as auto-referências, a psicanálise, o humor sarcástico, a mistura do profundo e do mundano. Seus últimos filmes que fizeram sucesso, Match Point e Vicky Cristina Barcelona, não contam da participação do diretor como ator, ou seja, não podemos acompanhar as tiradas inteligentes de seu alter-ego atrapalhado, sedutor e suas gags que misturam comicidade e profundidade. Os seus últimos filmes marcaram um fuga do gênero que o tinha consagrado, a comédia. Dentro desse gênero, Allen transitou pelos mais diversos tipos de comédia, transformando esse gênero chamado menor em grande cinema. Inicialmente, foram as comédias, embora sem uma estória muito elaborada, juntavam diversas gags, com uma média de uma piada a cada 30 segundos. Também houveram as comédias do absurdo, cujo exemplo mais bem acabado é a obra prima Zelig. No entanto, as comédias sobre relacionamento, das quais Manhattan e Noivo Neurotico, Noiva Nervosa são os mais conhecidos, foram as que trouxeram fama e prestígio ao diretor. O diretor, que afirmou a seu biógrafo, Eric Lax, preferir drama a comédia criou um estilo próprio em seus mais de 40 filmes que, embora não tenha deixado muitos seguidores, criou um marco dentro do cinema mundial. Sua iconoclastia também é conhecida: ao estar concorrendo e ganhar o Oscar, na década de 1970, disse não poder participar da festa, pois no mesmo dia estaria tocando sua clarineta com sua banda num pequeno bar de NY. Seu próximo filme se passará na França e mal podemos esperar pela próxima obra-prima, que ao certo terminará com os já clássicos letreiros negros, um jazz muito bem escolhido ao fundo e terminando com os seguintes dizeres: WRITTEN AND DIRECTED BY WOODY ALLEN

Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

O Próximo

Ainda continuam a torturar calouros, a espancar torcidas adversárias e a mutilar estrangeiros mundo afora. Lembro da abjeta violência gratuita desenhada como a natureza mais grotesca do homem dito civilizado, na obra "Laranja Mecânica".

Será que a diferença assusta tanto o homem, a ponto de ele ver necessidade de subjugar o próximo, para sentir-se seguro? Ou será que impor o sofrimento ao outro, o torna mais forte?

Entre a indiferença e o ódio, pavimenta-se a via da intolerância humana. Digo humana, pois não acredito que os animais, que usam da força para poder se impor no meio em que vivem, agiriam com sarcasmo ou sadismo.

Como disse, certa vez, Martin Luther King:

"Aprendemos a voar como pássaros e a nadar como peixes, mas ainda não aprendemos a conviver como irmãos".

Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Dilema sem Lema

vidas inocentes em segundos ardem
tragédia, rotina ou desgraça?
o círculo vicioso da retaliação...

o cessar fogo naquele pedaço de terra
utopia, piada ou milagre?
tentativas em eterna concretização

- Quem começou tudo isso? – pergunta-me o menino.

Os povos que matam por território
Ou o território que exclui os povos?
Dois povos ocupam o mesmo lugar no espaço
Ao mesmo tempo?

- Quem sabe um dia, você não me dá a resposta, filho?

Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

Lama posta

Nada foi posto na mesa de café

Nem café, nem xícara

Nem pão, nem migalha

Tudo foi imposto na vida de José

Tem carnê, tem cobrança

Tem multa e tem esperança

Afeito às frases feitas, assim ele é:

“O que não me mata, me fortalece”

Continua acreditando na vida

Fica cansado, mas jamais esmorece

Perde tudo, mas não abdica da fé

Mas agora, nem mais a mesa existe...

A lama engoliu toda sua residência

Tudo é escombro, morro abaixo, nada resiste

Pá na mão, tal qual Dom Quixote da Persistência

Diz ele, prometendo aos céus,

Abraçado à sua família:

“Poremos tudo de volta ao seu lugar,

Não perdemos nada, nós somos o lar”.

Sábado, 29 de Novembro de 2008

Espelhos dentro do espelho

- Conversa de elevador é sempre a mesma coisa, né?
- Quase sempre.
- Às vezes, as pessoas falam até sobre o próprio elevador.
- Eu sempre falo sobre o elevador.
- Falam sobre histórias de elevador. Por exemplo, de quando a porta fechou com tanta força, que quase amputou o braço de um advogado que tentou segurá-la.
- Acontece todo dia.
- Coisas do gênero.
- Vivo conversando sobre elevador dentro do elevador.
- Seria isso metalinguagem?
- Não sei. O que é isso?
- O que fazemos agora é. Duplamente.
- 8º andar, senhor!
- Até logo, Severino.